• Ricardo Stival

Erro Médico Diagnosticado por Colega Médico

Normalmente quando o paciente perde a confiança no profissional que lhe prestava assistência médica, seja com procedimentos ou acompanhamento em tratamento, é procurada a opinião de um segundo médico.



Nessas situações, principalmente com colegas de profissão que possuem a mesma especialidade, o constrangimento profissional se torna evidente após o paciente procurar uma segunda opinião médica, sobretudo quando de fato existem problemas em procedimentos realizados ou tratamentos indicados pelo primeiro médico.


Obviamente o profissional que consulta o paciente e verifica problemas na condução realizada por colega de profissão, deve instruir, indicar e acompanhar o paciente para um novo e mais adequado procedimento ou tratamento. Tais situações, são frequentemente encontradas nas mais variadas especialidades médicas, porém, existem situações onde é possível o paciente sentir maior insegurança do médico, principalmente quando há percepção estética do seu caso clínico, como na Dermatologia e Cirurgia Plástica, ou em outras situações de ramos diferentes da Medicina, mas com fácil percepção dos pacientes em decorrência da funcionalidade de alguns mecanismos do corpo humano, como ocorre na Oftalmologia e Ortopedia.


Porém, nas demais especialidades, devido a complexidade do caso clínico, alguns problemas enfrentados pelos pacientes são mais aceitos e há mais compreensão, já que se tratam casos mais complicados do ponto de vista do leigo.


No entanto, são nessas situações que ocorrem o diagnóstico direto ou indireto de colega médico sugerindo muitas vezes, outro tipo de procedimento ou tratamento, evidenciando de que o primeiro médico que iniciou o contato com o paciente, possa ter cometido alguma falha, seja por erro de diagnóstico ou imprudência médica, por exemplo.


Obviamente que nenhum médico possui a intenção de errar ao exercer a sua profissão em prol da saúde do próximo, mas situações desfavoráveis acontecem, seja por um evento adverso ou a infeliz falha médica.


Dessa forma, quando há uma segunda opinião médica frente a um problema enfrentado pelo paciente, e tal indicação diverge ao procedimento ou tratamento realizado pelo primeiro profissional que prestou serviços ao paciente, ocorre o que chamamos de erro médico por diagnóstico de colega médico, porém, sem qualquer acusação, mas tornando ainda insustentável o problema enfrentado pelo paciente com os primeiros serviços médicos recebidos.


Lamentavelmente, situações como essa ocorrem com muita frequência, porém, é preciso muita cautela do médico que presta serviços a um paciente com tratamento ou procedimento recebido de forma inadequada do ponto de vista do paciente, uma vez que apesar de existirem inconsistências de diagnóstico após exames clínicos ou por laboratório/imagem, existem técnicas e percepções diferentes para cada situação, sobretudo evolução de uma patologia ou mudança significativa de cada organismo a depender do tempo de avaliação.


Ainda, mesmo que o paciente possa relatar que esteja com problemas de saúde e não foi solucionado pelo primeiro médico, isso não indica erro médico, já que a Medicina não é uma ciência exata, por isso, muitas vezes, principalmente envolvendo tratamento médico, é preciso confiança e paciência, já que investigações clínicas ocorrem diante de vários casos, e conforme dito no parágrafo anterior, cada organismo responde de maneira singular, além é claro, de evoluções de doenças, etc.


Já em casos onde ocorre insucesso por ineficácia de cirurgia plástica ou dano estético, é preciso atenção tanto ao segundo médico quanto ao paciente, já que ambos podem desconhecer as particularidades, técnicas utilizadas e problemas enfrentados em procedimento ou tratamento pelo médico que passa a ter o seu trabalho julgado como incompetente.


Sendo assim, é preciso a devida prudência e responsabilidade por todos os envolvidos em situações dessa natureza, já que casos médicos mal avaliados por segunda opinião médica e mal interpretadas por pacientes, podem gerar inúmeras injustiças ou contratempos desnecessários, tanto para si como a todos os envolvidos.

Ricardo Stival é Advogado, Professor de Pós-Graduação de Direito Médico, Palestrante e Especialista em Ações Judiciais de Erro Médico e Processos Éticos no CRM e CRO, com atuação em todo o Brasil

Advogado Sócio da Advocacia Stival        www.advocaciastival.com.br

 

Graduação em Direito pela Universidade Tuiuti do Paraná - UTP; Pós-Graduação em Direito Constitucional pela Academia Brasileira de Direito Constitucional - ABDConst; Pós-Graduação em Direito Tributário Empresarial e Processual Tributário pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR; Pós-Graduação em Direito e Processo do Trabalho pelo Centro Universitário Curitiba - Unicuritiba; Pós-Graduação em Direito Médico pelo Centro Universitário Curitiba - Unicuritiba; Capacitação em Direito à Saúde pela Escola Superior de Advocacia da OAB/PR; Advogado membro da Comissão de Saúde da OAB/PR; Fundador do Portal "Direito Médico e Saúde" - www.direitomedicoesaude.com.br; Autor de cursos e palestras na área de Direito Médico e Idealizador e Responsável pela prestação de serviço de Compliance Médico-Hospitalar.

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Ricardo Stival - Advogado e Professor de Direito Médico