• Ricardo Stival

O cuidado com exposições desnecessárias na internet por médicos e dentistas


Como todos sabem, tanto o Código de Ética Médica quanto o Código de Ética Odontológica, vetam expressamente qualquer tipo de publicidade sensacionalista e promocional com o intuito de captação de pacientes.



Tal precaução é necessária, porém ignorada por alguns profissionais da saúde, que, em desrespeito aos princípios éticos e morais, ultrapassam a barreira do permitido pelos órgãos de classe, bem como os impostos pela sociedade, além do direito de intimidade.


Por essa razão, o controle deve ser de cooperação entre os profissionais, bem como de respeito com seus pacientes, seja na área médica ou odontológica.


Porém, em muitos casos, pela necessidade de auto promoção, tais barreiras são extrapoladas e tendem a ridicularizar médicos e odontólogos em toda a sua categoria. Por atitudes infantis ou precipitadas, na ânsia de demonstrar suas qualidades, especializações e trabalho efetivo na área de atuação, acabam por desrespeitar seus pacientes e demais colegas de profissão através de “selfies” ou fotografias sem fins acadêmicos durante procedimentos cirúrgicos.


Muitos desses casos de exposição desnecessária, ocorre ainda na formação universitária, estágios obrigatórios, residências médicas e inclusive na atuação profissional médica e odontológica.


Em locais onde deve existir postura profissional e de extremo cuidado com a higienização, uma vez que celulares estão suscetíveis a contaminar o ambiente cirúrgico, estudantes e profissionais da medicina e odontologia insistem em desrespeitar o seu Código de Ética com o intuito de obter um aparente sucesso profissional através de “likes” em redes sociais.


Tais atitudes, além de não agregarem em nada para a vida profissional, podem ocasionar grandes problemas ligados a sua atividade, bem como expor a intimidade do paciente, pois não possuem condão acadêmico, o que, por óbvio, demonstra violação do sigilo profissional.


Com isso, faz-se necessário observar sempre o respeito que o médico e odontólogo devem possuir com a sociedade e, inclusive, entre os próprios profissionais, pois situações como essas podem denegrir toda uma categoria.


Não observadas tais regras éticas, as consequências podem ser piores do que um processo administrativo nos Conselhos Regionais, podendo inclusive ser acionado o Poder Judiciário pelo próprio paciente.


Por isso, o bom senso e a valorização da profissão devem ser sempre colocados em primeiro plano. O bom profissional médico ou odontológico precisa valorizar a sua imagem e à da categoria e somente em estudos científicos essas exposições devem fazer parte do seu procedimento, porém, sem expor a identidade do paciente e fazendo sua publicação nos meios adequados para o público certo, com todos os cuidados e princípios éticos respeitados.

Ricardo Stival é Advogado, Professor de Pós-Graduação de Direito Médico, Palestrante e Especialista em Ações Judiciais de Erro Médico e Processos Éticos no CRM e CRO, com atuação em todo o Brasil

Advogado Sócio da Advocacia Stival        www.advocaciastival.com.br

 

Graduação em Direito pela Universidade Tuiuti do Paraná - UTP; Pós-Graduação em Direito Constitucional pela Academia Brasileira de Direito Constitucional - ABDConst; Pós-Graduação em Direito Tributário Empresarial e Processual Tributário pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR; Pós-Graduação em Direito e Processo do Trabalho pelo Centro Universitário Curitiba - Unicuritiba; Pós-Graduação em Direito Médico pelo Centro Universitário Curitiba - Unicuritiba; Capacitação em Direito à Saúde pela Escola Superior de Advocacia da OAB/PR; Advogado membro da Comissão de Saúde da OAB/PR; Fundador do Portal "Direito Médico e Saúde" - www.direitomedicoesaude.com.br; Autor de cursos e palestras na área de Direito Médico e Idealizador e Responsável pela prestação de serviço de Compliance Médico-Hospitalar.

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Ricardo Stival - Advogado e Professor de Direito Médico